PETRÓLEO DEVERÁ LIDERAR AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS EM 2024

O petróleo está ganhando cada vez mais destaque e deverá emergir como o principal produto de exportação do Brasil este ano. A mudança ocorre num momento em que a indústria extractiva constitui agora um quarto do total das exportações do país. O desempenho do petróleo ajudou a gerar receitas recordes de remessas no período de janeiro a abril. A diferença entre o petróleo e a soja, que liderou o ranking no período, é de apenas US$ 300 milhões. Volumes mais elevados continuam a compensar a queda dos preços, um padrão semelhante ao das importações totais.

Segundo dados divulgados quarta-feira pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC), a balança comercial de abril registrou superávit de US$ 9,04 bilhões. No acumulado do ano, o superávit atingiu US$ 27,74 bilhões. As exportações totalizaram US$ 108,9 bilhões, um aumento de 5,7%. As importações cresceram 2,2% e atingiram US$ 81,1 bilhões.

A participação da indústria extrativa no total das exportações brasileiras aumentou para 25,8% no período janeiro-abril, em comparação com 21,7% no mesmo período do ano passado, impulsionada pelo petróleo bruto e pelo minério de ferro.

Ambas as commodities tiveram aumento na receita de exportação em nível acima da média dos embarques totais. O valor embarcado de petróleo e minério de ferro cresceu, respectivamente, 29,3% e 24,8% ano a ano no período janeiro-abril. No mesmo período, as exportações totais do país aumentaram 5,7%.

Herlon Brandão, diretor de estatística e estudos de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), afirmou que “o petróleo tem sido o destaque” das exportações nos primeiros quatro meses deste ano.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), afirma que o petróleo caminha para ser o principal produto das exportações brasileiras em 2024. Dados da SECEX mostram ainda que, apesar da queda de 3% nos preços, o aumento da receita petrolífera foi garantida pelo volume de embarques, que cresceu 33,4% no período janeiro-abril em comparação com o mesmo período do ano passado.

“Mantendo o ritmo atual, mesmo que não haja aumento de preços, o petróleo se tornará o principal produto exportado pelo Brasil em 2024”, disse Castro. A soja lidera atualmente o ranking, mas as exportações de grãos são sazonais e devem cair a partir de setembro, disse ele. Além disso, lembrou que os embarques estão sendo antecipados. Embora o Brasil tenha exportado volumes significativos de soja, a colheita de grãos deste ano não será tão grande quanto a do ano passado.

No agregado das exportações, o bom desempenho dos volumes, que cresceram 10,6% no período janeiro-abril, continua compensando os preços, que caíram 4,2% frente aos mesmos meses de 2023. As importações tiveram dinâmica semelhante, com queda de 12,6%. aumento da quantidade e queda de 9,9% nos preços.

Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, disse que a dinâmica da balança continua “robusta”, com exportações de US$ 345 bilhões nos últimos 12 meses. As importações, que vinham diminuindo, parecem ter se estabilizado em cerca de US$ 240 bilhões ao longo de 12 meses, com dinâmicas mais heterogêneas entre setores e sinais de potencial aceleração, disse Barbosa. Isto já é evidente nos itens industriais e nos bens de capital, o que pode refletir políticas governamentais que visam a modernização do parque industrial e é consistente com as perspectivas de um crescimento económico mais generalizado em 2024, acrescentou o economista.

Segundo dados da SECEX, considerando as importações por categorias econômicas, o aumento no volume de compras externas foi puxado por bens de capital, com aumento de 19,6%, e bens de consumo, que cresceu 20,4%.

Quanto às relações bilaterais, chama a atenção o comércio com a Argentina. Após um excedente de apenas 75,5 milhões de dólares no primeiro trimestre, a balança comercial do Brasil com a Argentina apresenta agora um défcit de 40,3 milhões de dólares no ano até Abril.

O resultado não é surpreendente, disse Castro, da AEB. “A Argentina está reduzindo as importações em busca de uma melhor balança comercial, não só pela falta de moeda forte, mas também para tentar melhorar as condições do setor externo. E essa abordagem está afetando as exportações brasileiras.” Dados da SECEX mostram que houve queda de 29,9% no valor embarcado do Brasil para a Argentina no período janeiro-abril em relação a 2023, enquanto as importações cresceram 2,9%.

Questionado sobre os efeitos do desastre ambiental no Rio Grande do Sul na balança comercial, Brandão disse que o estado é o sexto maior exportador e o sexto maior importador do Brasil. Entre os itens mais relevantes do estado estão soja, fumo e carne bovina, além de produtos industrializados, como calçados, polímeros plásticos e máquinas agrícolas. O impacto das inundações nas vendas de soja “ainda é incerto”, disse ele.

Fonte: Valor Internacional

Clique aqui para ler o texto original: https://valorinternational.globo.com/economy/news/2024/05/10/oil-set-to-top-brazilian-exports-in-2024.ghtml

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